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A principal finalidade das embalagens é proteger e conservar os alimentos, mantendo-os sem alterações significativas a sua composição e qualidades sensoriais, bem como protegê-lo de fenômenos físicos, químicos e microbiológicos que signifiquem redução de sua vida útil [2]. A embalagem “longa vida” possui uma estrutura multicamadas que fornece a proteção ideal aos alimentos nela armazenados.

Estas embalagens foram inventadas por Ruben Rausing em 1951 e já no ano seguinte começaram a ser comercializadas na Suécia. Em 1978, a planta da Tetra Pak para material de embalagem foi aberta em Monte Mor, no Brasil. Contudo estas embalagens circulam no comércio do país há 55 anos e têm como principal característica a preservação dos alimentos sem adição de conservantes [3].

A embalagem da caixa multicamadas é formada por três materiais: papel, plástico e alumínio, distribuídos em seis camadas dispostas em ordem determinada (Figura 1), que passam por um processo de laminação, que consiste, simplificadamente, em realizar uma compressão sobre as folhas dos diversos constituintes para uni-las. Cada uma das camadas possuem funções específicas que serão descritos abaixo (Tabela 1) [7].

O papel cartão corresponde a 75% da embalagem e do peso. Este material possui camadas duplex sendo uma camada branca que não utiliza cloro para o seu clareamento. Suas principais funções são dar suporte mecânico à embalagem e receber a impressão que pode ser realizada utilizando a flexografia ou a rotogravura [7].

O alumínio corresponde apenas em uma pequena camada da embalagem, no total de 5%. Possui a importante função de proteger contra a entrada da luz, do oxigênio e de impedir a troca de aromas e odores entre o alimento e o meio externo. Este material na embalagem fica entre várias camadas de plástico, não entrando em contato direto com o alimento. A proteção contra a luz é importante, pois ela destrói as vitaminas encontradas em alimentos como o leite e sucos. O oxigênio presente no ar produz uma reação de oxidação nos alimentos , que pode causar alterações de cor e sabor. O ar pode, também, levar microrganismos e odores estranhos para dentro da embalagem, se ela não for muito bem fechada [7 e 8].

O plástico usado na embalagem “longa vida” é o polietileno de baixa densidade (PEBD) e representa 20%. Este polímero é obtido pela polimerização do monômero insaturado, o etileno, cuja estrutura pode ser de forma linear ou ramificada do tipo homopolímero ou copolímero.

Presente em quatro camadas da embalagem, o PEBD tem funções de isolar o papel da umidade, impedir o contato do alumínio com o alimento e servir como elemento de adesão dos outros materiais presentes na estrutura (papel e alumínio). Como possui maior porcentagem de cadeias laterais, o PEBD é menos cristalino e menos denso que o polietileno de alta densidade – PEAD. Isso o torna razoavelmente flexível e permite que ele seja usado na produção de filmes plásticos, além de possuir um grande faixa de temperatura de termosselagem. Outra propriedade importante do polietileno é o fato de ser apolar e, assim, não ter afinidade por água, o que é essencial para o uso em embalagens de alimentos [1 e 7].

As quatro camadas configuram a solda e a possibilidade de fechamento da embalagem, caracterizando a embalagem como impermeável, o que denominamos como uma embalagem hermeticamente fechada. O PE externo e responsável pela solda das dobraduras finais da caixa, que são dependentes do tipo de máquina que está sendo utilizada [6 e 7].

Tabela 1

Relação entre os materiais de cada camada e sua função

A


B

Figura 1

Demonstração das multicamadas da embalagem cartonada

Fonte: TETRA PAK, 2012.


O desenvolvimento de novos tipos de embalagens esterilizadas a baixa temperatura, como os sachês multicamadas (duraflex) ou pouches assépticos e as garrafas de polietileno tereftalado (PET), permitiu ampliar as possibilidades de envase, antes restrito a embalagem cartonadas multicamadas “longa vida” utilizando o processamento térmico asséptico (Figura 2).

O primeiro tipo é confeccionado em sete camadas obtidas por co-extrusão, sendo seis de polietileno de baixa densidade e uma camada escura de EVOH (copolímero de etileno e álcool vinílico), com função de barreira ao vapor e de maneira a conferir o mesmo grau de proteção contra a luz e o oxigênio da embalagem cartonada multicamadas. O Duraflex possui quatro soldas laterais e mantém todas as propriedades para a conservação de laticínios longa vida por um período de 120 a 150 dias, sem a necessidade de refrigeração.

A garrafa PET asséptica aposta na tecnologia do envase asséptico a frio, pois a conformação do PET limita a temperatura de trabalho em 60ºC e acima desta temperatura, as ligações entre as moléculas na região amorfa se rompem, resultando numa rígida, porém com moldabilidade embalagem. Criadas a partir da injeção de duas camadas por um processo de sobre-moldade de pré-formas, a assepsia das embalagens decorre do processamento em ambiente fechado na linha de enchimento, com esterilização das garrafas feita por meio de aplicações de ácido peracético ou peróxido de hidrogênio. A primeira opção tende a ser mais segura e econômica, porque com a segunda se gasta mais energia na esterilização e pode ocorrer a retração da garrafa, por causa da temperatura elevada, aumentando o seu peso.

Como no caso das caixinhas longa vida, o processo asséptico em PET fundamenta-se no enchimento de líquidos esterilizados em embalagens também estéreis, num ambiente controlado no interior da máquina de envase.  Livres de microrganismos, os produtos adquirem vida de prateleira extensa, geralmente de seis meses (em certos casos de até dois anos), podendo ser distribuídos sem refrigeração [4].

Em alguns casos a barreira à luz é feito por rótulos termoencolhíveis foscos que evitam a oxidação do produto. A membrana de alumínio garante o fechamento hermético e a conservação do produto por no mínimo cinco meses. A selagem por indução facilita à abertura e evita a deformação do bocal, garantindo segurança e conforto no momento do consumo [5]. 

C

Fonte: http://www.piracanjuba.com.br/; http://www.clubedaembalagem.com.br; http://www.colaso.com.br; http://www.embalagemmarca.com.br/2012/11/leite-uht-shefa/

Figura 2: 

a) Embalagem cartonada multicamadas 'longa-vida';

b) Embalagem cartonada multicamadas em formato de garrafa;

c) Sachês multicamadas (duraflex) ou pouches assépticos;

d) Garrafas de polietileno tereftalado (PET)/UHT;

e) Interior da garrafa PET/UHT.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] NASCIMENTO, Renata Mara de Moura; VIANA, Marina Miranda Marques; SILVA, Glaura Goulart. BRASILEIRO; Lilian Borges. Embalagem cartonada longa vida: lixo ou luxo. Química nova na escola. Nº 25, pag. 3-7, 2007.

[2] ORDÓÑEZ, J. A. Tecnologia de alimentos: alimentos de origem animal. Porto Alegre: Artmed, 2005. (vol. 2)

[3] TETRA PAK. Tetra Pak – development in brief, 2008.

LITERATURA CONSULTADA

[4] EMBALAGEM MARCA, Vias Emergentes, Revista EmbalagemMarca. Pag. 17-19, Ano XII, n° 131, julho de 2010.

[5] EMBALAGEM MARCA, Especial Prêmio EmbalagemMarca 2010, Revista EmbalagemMarca. Pag. 30-83, Ano XII, nº 135, novembro de 2010.

[6] Oliveira, Thays Pereira. Controle de qualidade em leite, derivados e embalagens tetra Pack. Universidade Federal de Pelotas, Departamento de Ciência dos Alimentos, xxxx.

[7] RESENDE, Eliane Campos. Notas de Treinamento Tetra Pak. Treinamento em Tecnologia, processamento e envase de produtos UHT. Tetra Pak. 2012.

[8] Tetra Pak, Disponível em: 

http://www.tetrapak.com/br/reciclagem/ciclo_de_vida_da_embalagem/mat%C3%A9ria_prima/pages/default.aspx. Acesso em 6 de novembro de 2012.

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